Aos Afirmativos da Vida!

Aqueles que se ligam à vida cultural brasileira conhecem e reconhecem o significado da ‘Semana de 22’, não apenas para São Paulo e o estado do Rio, mas do nordeste, do norte e do sul de todo o Brasil.

Exceto à região sudeste - Minas de todas as gerais, São Paulo das multi-tudo-nacionais e Rio dos sonhos intercontinentais - ainda estão para serem descobertas ‘as modernidades’ prévias e/ou tardias de outros estados e regiões do país.

Como sinto-me e vivo-me brasileiro antes de ser catarinense – terra que amo cívica e apaixonadamente desde a minha progenitura pós-latina-americana-afro-ibérica-indigena – cito de memória  um invento que não é meu mas de Mário de Andrade: “pensar a Brasil a partir das cidades e regiões” é uma forma de republicar o Brasil e, quem sabe, celebrar nossa modernidade de país sem patriotadas, patriotagens ou idiotagens, regionalistas ou globalistas.

Aqui se trata tão-somente de registrar aquelas ‘Semanas’ dos idos de 1922 como um marco inicial, de cuja continuidade, rupturas e desdobramentos, fazem nascer e renascer, a cada dia e a cada criação, o ‘modernismo cultural brasileiro’ dos idos novos e distantes.

Naquele movimento que marcou o início da modernidade brasileira – tão bem cunhada por J S. Martins de “modernidade do atraso”, revelam-se os primeiros manifestos das artes e dos artistas brasileiros – autorretratos do Brasil por inteiro, digamos assim; e, também, o que respingou das almas de poetas e escritores, de mil visionários bem antes de serem televisonaods - do cinema, da música, da política democrática, nacional e cidadã (por que não?) - os que atualmente são chamados empreendedores ou utopistas sociais que, desde então, se dedicaram a pensar e a criar, um outro futuro, um outro destino, para nossa cultura e nosso país, para além dos colonialismos e imperialismos, dos socialismos e capitalismos que então serviam como “modelos” ou referências.

Um país com outro futuro e outro destino de nação – a brasilidade soberana, independente, grávida de futuridades, com as cores, os amores e os sabores dos brasis dentro do Brasil – num cenário de forças polarizadas para além daquele estágio primeiro de nossa “globalização” tardia.

De lá para cá, muitas águas jorraram ou secaram, transformadas em energia ou desperdiçadas, bebidas ou poluídas...

Não é momento de voltar no tempo, nem comparar histórias, nem épocas ou governos; apenas situar contextos e sitiar – em nossa memória de vã-guardas culturais – quais as perspectivas e possibilidades que se oferecem a partir destas incipientes ‘teses da futuridade’ – ou as DozeTeses - pensadas para Republicar o Brasil e, como elas, o urgentíssimo debate sobre a cultura e a política instituída pelo sistema estatal-midiático-mercantil dominante.

***

Talvez o ‘aquecimento global’ e o ‘esquecimento global’, seja, os inseparáveis ‘desafios’ do clima e da miséria política que pautam os destinos do planeta e/ou do país, atropelam as certezas do progresso e juízos da verdade, ajude-nos a perceber, ou a empreender, um novo caminho,  uma outra potência de criação e invenção da Democracia Futura.

Chamo Invenção da Democracia, e não apenas de economias ou de políticas , mas de vidas, de futuros e destinos, invenção essa renascida do movimento interrompido da ‘modernidade’ brasileira e que, inexplicavelmente, travou ou desfez cada uma das suas promessas, as mais simples às mais complexas, de uma nação soberana, livre e independente.

 

De todo modo, os anos do entorno dos idos de 1922, e os de agora, 2012 a 2022, podem marcar o encontro de duas épocas. Quando pensei escrever as DozeTeses imaginei abrir ou escavar, uma fresta que seja, tendo em vista o desafio da refundação da Política – passo decisivo, penso, para se Republicar o Brasil – isto é, oferecer às novas gerações os enunciados de uma potência de invenção, de cujas promessas artísticas e culturais, econômicas e políticas, tecnológicas e futurísticas, ecológicas e ecotrágicas, estão para serem revistas, destravadas e efetivadas.

***

O ano de 2010 - um ano ‘redondo’ e das eleições presidências pós- Lula/FHC/ItamarFranco/Collor/Sarney - marcaria esse primeiro momento do debate da entrada do Brasil no século XXI. As eleições seriam espécie de portal de acesso para uma nova cultura política, que se prometia ‘eco-moderna’, um país ‘superdesenvolvido’, eis a promessa dos partidos de esquerda ou de centro, como das forças conservadoras que não se cansam de fazer juras de amor demais ao Brasil e ao povo brasileiro.

Durante a pré-campanha de Marina Silva à presidência da República, rabisquei as “Doze Teses” e imaginava debatê-las em dois momentos: as teses serviriam para se pensar a refundação do partido e da política, como para se ‘Republicar o Brasil’, isto é, devolver ao Público o que é público, proteger ao Privado do assediamento do partido-estado e qualificar, na esfera Pública, o ‘sócios da ágora’ e os cidadãos da polis. As duas questões passaram ao largo da campanha de Marina e do empobrecedor ativismo partidário e eleitoral .

Sem o debate prático do pensamento e o livre exercício da política, dediquei-me, então, aos “Escritos da Espera – Fragmentos do futuro # Pensamentos do acaso”;  com esse livro, senti-me novamente encorajado a apresentar um primeiro esboço das Teses na forma de um registro dos pensamentos-fragmentos que compõe “o livro da espera”.

Os velhos verdes – e os vermelhos e azuis - que dividiram os feudos partidários, ergueram verdadeiras fortalezas para aqueles que ‘de fora’ - os que falam ‘outras línguas’ que não aquela da velha “política para políticos”. E novamente as DozeTeses ficaria para uma outra oportunidade, na esperança de que teriam alguma serventia noutras áreas ou tribos, pois, no âmbito dos partidos, bem poucos interessam encarar suas próprias decadências e as reformas da e na política neles investidos. O chamado capital político eleitoral é um verdadeiro patrimônio do poder que quer conservar o velho poder.

***

A idéia das teses tinha como proposta se fazer, a cada dia 22 de cada mês, encontros, seminários, círculos culturais para se conversar, propor, escrever, publicar, divergir ou discordar, entre grupos de 22 participantes signatários – nas respectivas estâncias (no conceito de G. Agamben, no seu livro de mesmo título  – e não como ‘instâncias’ - nacional, estadual e/ou municipal – que seriam formados ao longo do período preparatório e que antecedem à comemorações dos 100 anos da modernidade brasileira.

 E que elas possam, ao final dos debates, 1) serem apresentadas no curso das eleições de 2014, na forma de um esboço de plataforma político-cultural intergeracional – e, portanto, cultural filosófico mais que político-partidário; (2) que as Teses possam servir para aproximar com as devidas diferenças trazidas pela própria modernidade, novas relações e fluxos de pensamento criativo entre cultura e natureza, economia e ecologia, polis e paideia, república e governo - revestidas de qualidade e de inovação, na prática Política e vida Cultural; e (3) que a partir do próprio debate que se estabelece por outros tons e cores, e,- diferentemente da modernidade do atraso que teima nos assediar e nos enquadrar - sejamos verdes ou não tão verdes assim, debatêssemos a sustentabilidade do país e da planeta, das casas e das cidades, dos rios e florestas; finalmente (4) que as teses possam ser pensadas ‘de dentro’ e ‘de fora’ dos partidos, no tempo livre de nossas casas e das mil causas que estivermos envoltos, sejam elas “republicanas” e/ou “ambientais”, políticas ou culturais.

Se longa é a apresentação, fragmentária é cada uma das DozeTeses, para que possam ser lidas e refeitas, completadas ou modificadas, parcial ou totalmente. Vamos, pois, a elas:

Para a versão do coletivo autoral, imaginei um texto publicado na forma de um pequeno caderno - como aquele das 11 teses da autonomia, lembram?  Caderno teria duas partes: "Nem Parece Cultura" - que destaca os temas da modernidade (1922-2022) na perspectiva da futuridade (novo 22 de terceiro milênio), e "Nem Parece Política", onde estão os temas-âncoras para a discussão.

 

Lembro que é possível que tenhamos outros ‘temas’ ligados aos temas-âncoras. Por exemplo, no ponto 9 ('Política antes; partido depois'), caberia a discussão sobre o estatuto do 'voto obrigatório" ou “voto livre”; do voto universal ou do voto qualificado; no ponto 3 (Das maiorias e minorias), a questão da justiça e da equidade poderá se desdobrar em sugestões práticas-programáticas, de tal modo que tudo possa integrar numa plataforma de rede, complexa, plural.

 

Ou seja, alguns temas-âncoras, em parte ou no todo,podem ser modificados e/ou desdobrados em outros pontos para atender a diversidade de questões – dúvidas ou sugestões - que certamente poderão surgir no/s Grupo/s.

 

Lembro que é possível a formação de novos grupos, com saídas e entradas livres de pessoas, que inicialmente participam e depois perdem o interesse.

 

A perspectiva interpartidária, transvalorativa e transgeracional das DozeTeses e da Plataforma Atos da Cidade Futura (Nem Parece Política – Nem Parece Cultura) é sua principal força e, também, sua fraqueza. Segue um resumo para quem quiser e puder prosseguir .

 

 

DOZETESES

Para Republicar o Brasil (2012 – 2022).

 

 

Re Publicar é dito aqui no sentido mais simples e amplo da palavra, seja, que posamos focar nossa atenção em pelo menos três pontos importantes na formação de uma República Democrática Brasileira. O RES da República: R = Riqueza criada e  investida (outra escala ou hierarquia de valores); E = Educação em tempo livre no lugar da terrível educação continuada (a educação como o coração da democracia); S = Saúde (saúde em tempo integral).

 

E o Brasil a ser pensado e transformado, possa ser descoberto e governado a partir das Cidades e regiões confederadas, com base nas três ecologias (ambiental, social e mental).

Se as teses forem apresentadas para as eleições municipais de 2014, a idéia do processo é integrá-las numa Rede de Cidades ou iniciativas como “Nossa São Paulo”, “Cidades Inteligentes”, “Cidades Saudáveis” ou, como dizemos na Cidade Futura, “Cidades Constituíntes”.

 

Essa Plataforma talvez seja importante para um projeto de Refundação da Política e talvez para uma alternativa em  2014, sempre na forma de um esboço de plataforma político-cultural,  mais que político-partidária ou eleitoral.

 

Que as teses possam servir para aproximar ‘cultura e natureza’, ‘economia e ecologia’, ‘polis e paideia’, ‘a República’ e o ‘Brasil’, a Política e a Cultura.

Razão pela qual tenho enfatizado  que a reforma política seja acompanhada pela mudança da qualidade na política, a começar pelo valor da Palavra.

Que as Teses possam ser pensadas 'de dentro' e 'de fora' de nossas casas e causas, sejam elas “republicanas”  e/ou “ambientais”, “democráticas” e/ou “instituintes”.

 

Segue o resumo para leitura e sugestões:


1. Sobre o modernismo tardio do Brasil

A primeira tese a ser defendida é a da modernidade afirmativa e alegre – ecomodernidade, mais ecotrágica que ecológica. Tal conceito de modernidade quer fazer da diferença e da equidade as mais trópicas alegrias, forças da potência de vida afirmativa e capazes de mudar o ‘Mapa do Brasil Medíocre’ – responsável com o que temos de “modernidade do atraso”, que começa pela idéia e prática da representação medíocre e grosseira, plástica e postiça, da própria legitimidade ou sustentabilidade que diz ‘defender’ ou ‘encarnar’.


Ousada e diferente, alegre e afirmativa, independente e federativa, a nova modernidade firma o encontro da natureza e da cultura enxertadas não mais pelo ‘ambientalismo globalista’, mais regadas por ‘políticas compensatórias’ que por ‘fogos locais’. A marca da ‘nova’ modernidade reencontra o país com seus interiores, seus povos e cidades, com suas florestas e desertos, as terras com as águas, os ares com os fogos e erigem os diferentes estados da polis e os novos alicerces da República.

 


2. Ecos da Diferença

Na próxima dezena de anos – 2012-2022 - talvez possamos apresentar uma política de Democracia Futura ao se transformar a instituição partido como associação de vontades políticas afirmativas e que se traduzem na passagem do ecológico - fundado nos valores da conservação – aos valores afirmativos da vida, e não vida dos valores. O debate acerca dos valores da Democracia Futura deverão levar em conta as diferentes visões acerca da sustentabilidade e da vida, da economia à ecologia, da preservação do atual modelo de desenvolvimento e a criação de outro modelo de fazer crescer uma economia sem aniquilar a sua sustentabilidade, humana e planetária.


3. Maiorias e minorias (vanguarda/massa; elite/povo)


Repensar esses conceitos e a visão que temos deles. Ainda concebemos as ‘minorias’ e as ‘maiorias’ sob a lupa da modernidade do atraso. As minorias não são uma conta numérica, mas uma ‘qualidade de luta’ ou ‘força de criação’. Um povo inventivo é um povo que se inventa.

Somente as minorias são criativas. As maiorias são ‘copiativas’. As primeiras, primam pela qualidade de vida, pelo valor da novidade e da tradição, da mudança, da transformação. É isso que separa ‘um povo que cria’ de um povo que apenas transcopia. 

‘Somadas’ as maiorias e “enquadradas” as minorias pelo atual sistema de poder político  (sistema mercantil-midiático-estatal onde os meios justificam os meios), estabelece-se uma média do ‘pensamento medíocre brasileiro’. Midiático, se ‘interneteiro’; anticomunicativo, se hierarquizado; gregário e segregado quanto mais massificados.


4. Da miséria da política (ou miséria da filosofia)


A miséria da filosofia reflete-se na miséria da política, e vice-verse. Nossa fraca distribuição de afetos, de forças e de riquezas, diminui a potência de existir, tanto mais a nossa capacidade de conservar e de conversar. O resultado é a diminuição da força autônoma da República federativa, da participação viva da cidadania, esta, quando mobilizada, restrita à mutirões cívicos eventuais,  convenções de fachada, mudanças que não mudam, conceitos que não criam, valores que vulgarizam, escolhas, vontades e decisões tomadas para tudo ficar como está, como se fosse “resultado da vontade popular”.

[Junto com as práticas tirânicas - que vai da intimidade à publicidade -, nota-se a ausência de hospitalidade e de trocas afetivas e fraternas. A sagração do agradar e do captar – aspectos da mesma indigência política e filosófica -, está mais próxima do vulgar quanto mais distante da nobreza que dá ‘excelência’ ao que é ‘bom’ e/ou torna ‘bom’ o que é ‘pior’. A miséria da “política para políticos’ é o marco conceitual e institucional eco-conservador que grassa em nosso meio, entre nichos de resistentes criativos e inovadores integrados, que se encontram, e se desencontram, pelo país afora e partidos adentro.


5. O Mapa do Brasil Medíocre (esforço de passagem da crítica à clínica e desta à criação)

Ao se incluir nestas teses o tema da mediocridade - e suas moradias em casa ou na instituição partido, na sua circulação pelas ruas ou gabinetes públicos, nas cidades e nos campos, que atravessa mares, montanhas e sertões – pretende-se um exercício de aprendizagem e aproximação, um diagnóstico ou leitura dos ‘sintomas’ que travam a qualidade de vida e os valores da república, o nosso desenvolvimento humano e socioambiental. Que o ‘Mapa do Brasil Medíocre’ seja nossa vergonha sem cinismo ou mascaramento, para se trazer de volta um quê de dignidade, no que temos ou nos resta, tanto na vida pública quanto na esfera privada e dita social. O mapa do Brasil Medíocre coloca em discussão a vida numa ‘sociedade sem sócios’ baseada na exclusão e inclusão, cotas e méritos, agregados e desagregados, dominantes e dominados.


Traçando-se o mapa, abre-se a possibilidade ou exigência de outra potência de vida e de destino, das gentes e do país. Possibilita mudar o que trava e o que somos capazes - no sentido de criar outra dieta de vida presente e de vida futura, outra forma de representação pública e caminhos novos à  participação política e cultural nas cidades e nas instituições da República.


6. Ecocandidaturas e regime de votos no Brasil


Num país onde as eleições acontecem a cada dois anos, trabalhar com afinco num movimento cívico de formação e desenvolvimento de campanhas culturais de qualidade – as ecocampanhas – visando a formação de uma nova geração de líderes e de eleitores, qualificados na qualidade ética, na exigência estética e na dignidade de caráter dos governantes e legisladores, e dos próprios eleitores.


Aqui o tema da educação e da cultura política junta-se ao da cidadania e da representação, de modo que possamos transformar cada eleitor num leitor (leitor-e-leitor) e cada filiado (num partido ou associação) num associado (=sócios); cada representado num responsável pelos seus representantes e cada representante em mandatário civil público para fins outorgados e revogáveis no respectivo distrito ou colégio eleitoral.

Com as ecocampanhas damos o valor devido ao rito eleitoral democrático, bem como ao espaço ‘vazio do poder’; e, nos processos eleitorais, que possamos eleger os melhores para as diferentes responsabilidades públicas, sejam elas legislativas e executivas, associativas ou delegadas.

O estatuto do voto livre e de candidaturas avulsas, do voto distrital e da representação voluntária para funções de vereança e conselheiros públicos.


7. Palavras partidas, palavras doentes (a palavra da mídia e a palavra de vida)


As armas brancas do negativo ferem o ser da cultura e o cidadão da república. As promessas não cumpridas, as palavras dadas e imediatamente quebradas, toda uma rede de irresponsabilidades com os compromissos, a mentira descarada, a enganação, etc., cobre, de cima a baixo, o sistema político, social, comunicacional e partidário - tudo deve ser revisto. O início da corrupção começa com a corrupção palavra empenhada ou comunicada e o descumprimento das promessas feitas. A Nova política dependerá em grande parte da formação de uma nova geração de leitores e autores, de comunicadores sociais éticos e agenciamentos abertos informação e enunciação.


8. Novo federalismo para republicar o Brasil


O Brasil tem dimensões territoriais que somente um federalismo dinâmico e fortalecido, a partir das cidades e regiões, será transformado.

Os temas da divisão dos poderes – que chamo de ‘estados da pólis’ – impactam na vida de milhões de pessoas, em todas as áreas da vida social. A educação e a saúde, a segurança e o desenvolvimento, todas as agendas públicas, sociais e privadas, atravessam o pacto federativo. Também podemos destacar o encontro das cidades com as florestas, a ‘capital’ e ‘interior’, as questões urbanas e as rurais, as regiões metropolitanas, todo o debate sobre território e espaços de poder e de forças locais, nacionais e globais.

 

9. Política antes; partido depois


A política antes do ser ou apenas política do aparecer. O partido é uma forma ou dimensão do exercício da Política. Numa divisão simples, o partido remete aos temas da pequena política – política de governos -, estas se diferenciam da chamada grande política – políticas de Estado. Estes termos assim postos são precários, e não alcançam ao que chamamos de um terceiro tipo de política, que se difere seja da pequena seja da grande política: a política grandiosa.

 A questão da relação e da responsabilidade na Política, com e pela Política  de um país, estado e cidade, tanto por parte dos cidadãos como da sociedade civil; a questão da filiação e das alianças (os diferentes tipos de alianças, eleitorais ou existenciais, de governo ou de vida, tipos de coalisões, programas); enfim, todo o tema da independência e da soberania, da tomada de decisões e da participação efetiva nos processos decisórios, de delegação e de afirmação da cidadania da liberdade, da justiça e da equidade, da inclusão e exclusão, etc., terá como ponto de partida o conceito da Política maior, que esteja acima dos partidos ou de uma redução da atividade política ao sistema de representação partidária e/ou eleitoral.


10. A ética da alegria


Talvez a Juventude possa em sua liberdade e rebeldia, em sua alegria e maneirismos, nas suas boas campanhas e melhores companhias assuma como sua esse importante desafio: fazer da ética da alegria nossa tese ‘cheia de vida’, de tudo quanto sonhamos e acreditamos nesses anos todos: seja os sonhos de um tempo ou uma estação; os sonhos de uma existência ou de uma geração; os sonhos da cultura de outro modo de civilização.


O tema da ética é público por excelência (a ética que começa em casa e ocupa os espaços da rua e da cidade), atravessa as instituições e as organizações civis, sociais, religiosas, militares, políticas, empresariais, outras. Mesmo os lugares de pouca privacidade, aqui coligados às teses da ecomodernidade juntada à estética e a equidade - além da economia, da política, da identidade, da escola e universidade. 


11 – As três ecologias e outros destinos


Uma ética da alegria fecunda toda vida, toda cultura, toda cidadania e se expressa nas três ecologias, a ecologia ambiental, social e mental. Tripé das existências, dos dramas e degradações éticas e humanas, das mais trópicas alegrias, são forças que entristecem (tristeza= que diminui a potência do existir) os  brasis de todos os tempos e lugares, os daqui e os de lá, tudo que irá fazer ecoar ou silenciar nas suas presenças ou ausências, a força e a fraqueza, a seriedade e o bom humor brasileiro; os grandes temas do ‘aquecimento global’ são agora e definitivamente inseparáveis das questões do ‘esquecimento global’, o clima e a memória, o presente e o futuro, subjetividade e a futuridade.


12. Fundar um futuro: o novo que é antigo


Um outro futuro é possível, mais impossível, ainda! Tanto quanto o partido e a política, caso recriados não forem o seu programa, sua senha, sua sina, sua meta, sua bandeira, a sua forma e instituto, que lhe dá cor, tom e sabor, que cria, gera, traduz – ou não - numa plataforma sustentada, admirada, transformada e transformadora.


Um futuro é mais que um partido ou um programa, uma estratégia ou uma plataforma – O futuro é um caminho, uma democracia que se inventa, um sonho que se transforma, uma criação histórica e é uma paixão instituinte - e constituinte – ainda que constituída seja sua formação e a sua originalidade.

 

O futuro da Nova Política não será contrapor o velho e o novo, o antigo e o moderno, o antes e o depois, numa ordem, digamos cronológica, mas um futuro que seja devir, acontecimento, invenção da própria Política como obra de arte e projeto de grandeza.  

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