Por José Paulo T

Como a experiência do projeto Bom de Bola como “produto” de mídia nos ensinou a ler de novo.

O projeto Bom de Ler tem se constituído, junto com o programa Repórter na escola, um experimento de criação, produção e distribuição de valores e conceitos, afetos e conteúdos notadamente situados numa perspectiva pós-midiática.

As experiências de investimentos cultural e educacional desenvolvidos por estas iniciativas, apontam numa direção que podemos denominar ‘pós-social’ e ‘pós-mercantil’ - outro modo de dizer das empresas e dos investimentos chamados ‘com fins lucrativos’ ou ‘governamentais’ e/ou  das ações/organizações 'sem fins lucrativos’ ou ‘não-governamentais’.

O projeto Bom de Ler nasceu desse enorme esforço de ultrapassagem dos paradigmas herdados, fortemente influenciados pelo modelo matricial de sociedade setorial, característica de uma visão terceiromundista do terceiro-setor (ver o Ethos das Ongs, Cidade Futura, 2007).

Não se trata, porém, ou apenas, de uma questão teórica ou acadêmica, mas prática e filosófica.

A questão que se coloca é avaliarmos como a experiência do projeto Bom de Bola como “produto” de mídia nos ensinou a ler de novo.


Os anos de investimentos continuados no projeto Bom de Bola como produto, isto é, como ‘projeto’ ou evento ‘com fins de mídia’ e 'fins comerciais', de um lado; e, de outro, as ações 'com fins sociais' e 'governamentais', reproduzia um modelo que foi grifado por toda uma geração de líderes e empreendedores sociais.

Ano após anos, na medida que percebemos o esgotamento de sua força criativa e mobilizadora, ao mesmo tempo em que buscávamos conciliar, num mesmo projeto, interesses díspares e contraditórios, de governança social colados ao interesse comercial, do governamental ao midiático, e cujas conseqüências ainda estão para serem avaliadas pelas partes envolvidas. 

Nos últimos anos - como se tivéssemos voltado aos bancos escolares para uma nova releitura da vida e, assim, pacientemente – viemos a descobrir que o que vemos não é bem o que “vendemos”, o que fazemos não é o que fazemos de verdade, e o que pensamos não é exatamente o que gostaríamos de pensar.

Partindo-se dessa clivagem social-mercantil – terreno sedimentado pelos fluxos maquínicos midiáticos - estávamos impedidos de abrir os olhos aos novos sinais dos tempos e espaços criados, muitos deles efeitos da própria produção maquímica dos massmídia, o que implicava uma recomposição ou acomodação com as forças sociais e institucionais vigentes.

Até abrir caminhos ou veredas na direção de iniciativas outras e descentradas da questão social-mercantil, encorajados a começar de novo um novo investimento de caráter eminentemente cultural e educacional, passou-se um bom tempo que, ainda que perdido, considero-o tempo investido.

Pois a passagem do social-mercantil para um outro empreendimento de caráter cultural e educacional não poderia significar a perda desses referenciais primeiros, mas uma nova medida (de tempo e de valor) na escala de prioridades, de modo que pudéssemos 'aprumar' os investimentos que o experimento midiático já não mais oferecia.

Ao se assumir o projeto Bom de Ler e o Repórter a partir de uma perspectiva pós-midiática, não poderia significar, nem desconsiderar, o poder e a importância da mídia televisiva e das novas mídias, como força ciberculturais para os resultados desejados; antes, buscávamos respostas às próprias mudanças e impactos trazidos pela terceira revolução tecnológica – além da preocupação de compartilhar com os parceiros sociais, de mídia e de governo, as novas forças, conceitos e valores - de modo que pudéssemos contribuir com todos e, assim, aprimorar/fortalecer os laços de comunicação e parceria.

 

Introduzindo-se no movimento em curso com os novos projetos e iniciativas, novos conteúdos e valores, buscava-se maior força na interatividade e na participação co-responsável e menos poder de segregação ou intraconcorrência decorrente da representação das marcas envolvidas.

***

Aprender a ler de novo significava, enfim, e neste contexto, não apenas trocar um projeto por outro, mas reaprender e refazer todo o itinerário dos investimentos, seja para revestir os projetos consolidados - como é o caso do Bom de Bola -, ao mesmo tempo, destravar as novas iniciativas de forma que pudéssemos abrir perspectivas em direção ao novo, como acreditamos, estar acontecendo com a experiência do projeto Bom de Ler e do programa Repórter na escola.

***

Finalmente, cabe-me registrar que essas duas iniciativas em curso foram criadas no âmbito do Instituto da Parati, uma instituição organizada para coordenar e aprimorar seus investimentos sociais e culturais da empresa. Enquanto o Bom de Bola é fruto de um investimento empresarial, iniciado na forma de patrocínio e, progressivamente, convertido num investimento social privado, o Bom de Ler é um projeto cultural com fins educacionais, cujo interesse maior é reverter o fluxo dos investimentos feitos até aqui.

Além disso, o projeto Bom de Ler abre-se no coração das escolas, de modo que seus resultados, tanto quanto possível forem, e, dependendo da sua maior ou menor receptividade pelos potenciais parceiros e junto aos públicos a que se destina, trará ou não alguma forma de “ganhos” para a empresa-investidora e seus parceiros.

Acreditamos na força da cultura e da educação e tanto mais se estiver alicerçada de uma pedagogia inovadora de educação afirmativa, tal como apresentamos; essa escolha prática poderá, mais do que um simples projeto ou programa, se constituir numa 'tecnologia social', cultural e afirmativa, gerativas de estratégias e programas de educação do tempo livre – onde se inserem os projetos e programas desenvolvidos, inclusive o Bom de Bola.

Sendo o Bom de Ler fruto de um investimento com fins definidos pelos e nos seus próprios objetivos – e não outros – talvez, possamos, no curto e médio prazos, ajudar a todos - e ao projeto Bom de Bola - a encontrar a bússola e turbinar o tempo perdido, de modo que ele mesmo seja redescoberto pelos que assim desejam e/ou realizam seus investimentos.

Sempre dizemos e acreditamos ser o Bom de Bola uma poderosa 'tecnologia social' de prevenção e educação de jovens e crianças às situações de risco e conflito com a lei.

Embora timidamente validada ou reconhecida – até mesmo pelos co-realizadores do projeto – vemos a força transformadora do projeto num movimento de cultura de paz, nos esportes e na vida, nas cidades e escolas.

Sim, acreditamos no poder dos esportes e do futebol escolar participativo, na formação do atleta-cidadão, como forma de ajudar os mais jovens no domínio das 'paixões adolescentes', no fortalecimento da vida e da qualidade de vida, dos laços sociais e cívicos; enfim, na medida que o Bom de Ler abre-se e mergulha no coração das escolas, das crianças, dos pais e dos educadores, poderá de alguma forma contagiar e se constituir numa 'boa influencia' para despertar também os atuais investidores no Bom de Bola e motivá-los a dele fazer, um investimento integralmente cultural, sem fins comerciais ou midiáticos, devolvendo às escolas e à educação, mais essa ferramenta poderosa de educação do tempo livre na formação integral das crianças e de uma escola de tempo integral.

Que os criadores, participantes e mantenedores do projeto Bom de Bola possam aprender a ler de novo, com os olhos do futuro, como os corações das novas gerações, com os valores da vida – não vida de valores -, imbuídos, todos, na criação de territórios de paz e de liberdade, dentro e fora dos muros escolares – ali onde se forjam e forjamos todos um projeto de país.

Fique assim escrito os contornos destas jovens utopias. Antes jovens que tardias. José Paulo T. 21 de abril de 2009.

 

 

 

 

O projeto Bom de Ler tem se constituído, junto com o programa Repórter na escola, um experimento de criação, produção e distribuição de valores e conceitos, afetos e conteúdos notadamente situados numa perspectiva pós-midiática.

 

Seja, a experiência e investimento cultural e educacional desenvolvidas por estas iniciativas, apontam numa direção que podemos denominar ‘pós-social’ e ‘pós-mercantil’. Trata-se também de outro modo de dizer das empresas/ investimentos chamados ‘com fins lucrativos’ e/ou “não-governamentais’  ou ‘ações/organizações “sem fins lucrativos” ou não-governamentais’.

 

O projeto Bom de Ler nasceu fazendo um enorme esforço de ultrapassagem dos paradigmas herdados e muito influenciados pelo modelo matricial de sociedade setorial, característica de uma visão terceiromundista do terceiro-setor (ver o Ethos das Ongs, 2007).

 

Não se trata, porém, nem apenas, de uma questão teórica ou acadêmica, mas prática, inovadora e mobilizadora de novas tendências, cenários ou desenhos socioambientais.

 

- De que maneira a experiência do projeto Bom de Bola como produto de mídia nos ensinou a ler de novo?

 

Os anos de investimentos continuados no projeto Bom de Bola como produto, ‘projeto’ ou evento ‘com fins de mídia’ e fins comerciais, de um lado e, de outro, com fins sociais e governamentais, reproduzia aquele modelo. Ano após anos, na medida que víamos sentido o esgotamento de sua força mobilizadora, buscavámos conciliar, num mesmo projeto, interesses dispares e contraditórios, do social ao comercial, governamental ao midiático – com conseqüências ainda não avaliadas pelas partes envolvidas.

 

Seja, a experiência do projeto Bom de Bola como “produto” de mídia nos ensinou a ler de novo. 

 

É como se tivéssemos voltado aos bancos escolares para uma nova leitura da vida e assim descobrir que o que vemos  não é o que vemos, o que fazemos não é o que fazemos e o que pensamos não é o que pensamos.

 

Pois, a partir da clivagem social-mercantil – terreno sedimentado pelos fluxos maquínicos midiáticos - impedia-nos de abrir os olhos para os novos sinais dos tempos e espaços criados, muitos deles efeitos da própria produção maquinica dos mídia, o que implicava numa recomposição com as forças sociais e institucionais vigentes.

 

Até abrir caminhos ou veredas na direção de iniciativas outras e descentradas da questão social-mercantil, encorajados a começar de novo um novo investimento de caráter eminentemente cultural e educacional, um bom tempo foi investido.

 

Pois a passagem do social-mercantil para um outro empreendimento de caráter cultural e educacional não poderia significar a perda desses referenciais primeiros, mas uma nova medida na escala de valores para aprumar os investimentos que o experimento midiático já não mais oferecia.

 

Do mesmo modo que, assumir o Bom de Ler e o Repórter numa perspectiva pós-midiática, não poderia significar ou desconsiderar o poder e a importância das mídias e das novas mídias, como força ciberculturais, antes, buscávamos respostas às suas próprias mudanças e impactos  trazidos pela terceira revolução tecnológica – além da preocupação e o desejo de compartilhar com os parceiros sociais, de mídia e de governo, estas novas forças, conceitos e valores de modo que pudessem contribuir com todos, e, assim, aprimorar e fortalecer os laços de comunicação e parceria, introduzindo, com os novos projeto, novos conteúdos e valores que dessa força na interatividade e na participação co-responsável e menos poder de segregação e ou concorrência decorrente da representação das marcas envolvidas.

 

 

Aprender a ler de novo significava, enfim, e neste contexto, não apenas trocar um projeto por outro, mas reaprender e refazer o itinerário dos investimentos, seja para revestir os projetos consolidados (como é o caso do Bom de Bola) e, ao mesmo tempo, pudesse destravar novas iniciativas e abrir perspectivas do novo, como acreditamos, acontece em torno do projeto Bom de Ler e do programa Repórter na escola.

 

 

Finalmente, cabe registrar, que as duas iniciativas em curso são nascidas de dentro do Instituto Cultural da Parati, criado especialmente para coordenar e aprimorar seus investimentos sociais e culturais. Enquanto o Bom de Bola é fruto de um investimento empresarial, iniciado na forma de patrocínio e convertido, progressivamente, como investimento social privado, o Bom de Ler é um projeto cultural com fins educacionais, revertendo-se, desse, modo, o fluxo dos investimentos feitos.

 

Além disso, abre-se diretamente para o coração das escolas, de modo que seus resultados, tanto quanto possível for, e, dependendo de sua receptividade junto aos públicos a que se destinam estas iniciativas, voltarão ou não na forma de ganhos para a empresa-investidora e seus parceiros.

 

Acreditamos na força da cultura e da educação, neste caso, alicerçada por uma pedagogia de educação afirmativa, como a apresentamos, poderá, mais do que um simples projeto ou programa, se constituir numa tecnologia social (cultural e educativa) em favor das estratégias e programas de educação do tempo livre.

 

Com o Bom de Ler sendo fruto de um investimento com fins definidos nos seus próprios objetivos – e não outros – talvez, possa, no curto e médio prazo, ajudar a todos e ao projeto Bom de Bola a encontrar sua bússola, de modo que ele mesmo seja redescobertos pelos que o realizam. Sempre dizemos e acreditamos ser o Bom de Bola uma poderosa tecnologia social de prevenção de jovens e crianças a situação de risco e conflito com a lei. Acreditamos no poder dos esportes, e do futebol escolar participativo, na formação do atleta-cidadão, no domínio das paixões adolescentes, no fortalecimento da qualidade de vida e dos laços sociais e cívicos, enfim, na medida que o Bom de Ler abre-se e mergulha no coração das escolas, das crianças e dos educadores, será uma boa influencia para despertar os atuais investidores no Bom de Bola para dele fazer, também, um investimento integralmente cultural, sem fins comerciais ou midiáticos, devolvendo às escolas e à educação, mais essa ferramenta que pode ajudar na formação integral das crianças e de uma escola de tempo integral.

 

Que os criadores, participantes e mantenedores do projeto Bom de Bola possam aprender a ler de novo, com os olhos do futuro, como os corações das novas gerações, com os valores da vida, imbuídos todos na criação de territórios de paz e de liberdade dentro e fora dos muros escolares – ali onde se forja e forjamos todos um projeto de país.  Fiquem assim escritas os contornos destas jovens utopias. Antes jovens que tardias. José Paulo T. 21 de abril de 2009. 

 

Em 21 de abril de 2009, José Paulo escreveu.

Aprender a ler o novo

Dedico este artigo aos amigos educadores e incentivadores da cultura jovem em nosso país.

José Paulo Teixeira

A experiência do projeto Bom de Bola como “produto” de mídia nos ensinou a ler de novo.

Com o projeto de futebol, social e televisivamente mercantilizado, aprendemos a pensar diferente, a ter outra leitura sobre o modelo de investimento praticado.

 

Pensar o Bom de Bola para além do projeto de futebol, para além do campeonato escolar realizado como “evento de mídia” foi um dos nossos grandes desafios.

Levou-nos a buscar alternativas que pudessem atender a criança inteira, na sua integridade e na sua complexidade, na sua grandeza e na sua futuridade.

Como produto de mídia o Bom de Bola precisava - e ainda precisa - de um ‘choque de investimento’ ou, mantendo-se o modelo atual, se tornará insustentável.

E não basta, pois, “reduzir custos” nem simplesmente migrar de plataforma de comunicação em rede, da analógica à digital, da teve para a internet, o que é praticamente irreversível diante dos públicos participantes; nem mesmo o caráter tradicional de jogos escolares separado de uma visão de ensino em tempo integral e de educação do tempo livre das crianças e dos jovens.

E foi esta visão que situa a pratica do esporte em geral e do futebol em particular

 

 

Além de jogar bola, aprendemos a compreender a ‘língua da bola’, na sua inserção com a música e a literatura. Como se de repente começássemos a falar em línguas diferentes simultaneamente, como num encontro de culturas, de sonhos, de desafios e novidades mil.

 

A língua da bola assim reaprendida, enriquecida com a força das letras e o poder das notas musicais, reanima aquele desejo primeiro, de recomeçar sempre, de realizar e embalar a vida no mesmo sonho de tornar aquilo que é Bom em Melhor e fazer isso como se fosse a primeira vez.

 

 

Isso foi possível com o nascimento do projeto Bom de Ler, que trouxe ao projeto uma nova linguagem, cultural e filosófica, com impactos imediatos no projeto Bom de Bola, na sua realização, sustentabilidade e parcerias.

 

 vem se constituído num experimento de criação, produção e distribuição de valores e de conceitos, de afetos e de conteúdos notadamente singulares, e uma perspectiva inovadora de educação do tempo livre.

As experiências desenvolvidas por estas iniciativas apontam numa direção que podemos denominar pós-midiática (pós-social’ e ‘pós-mercantil’ do tempo livre das crianças e jovens).

Ainda que sejam incipientes essa nossa ‘pedagogia’ do tempo livre, vislumbra-se um outro modo de dizer das empresas ou dos investimentos chamados ‘com fins lucrativos ou governamentais’ e suas relações com projetos ou instituições chamadas 'sem fins lucrativos ou não-governamentais’.

Trata-se de uma perspectiva outra - inovadora, diferente, afirmativa - que definimos na Cidade Futura como projetos/organizações ou iniciativas “com fins afetivos”, tendo em vista uma nova distribuição de forças, de riquezas e de afetos.

***

História do Bom de Ler

O projeto Bom de Ler nasceu de um esforço de ultrapassagem dos paradigmas herdados, o Bom de Ler nasceu em meio a anúncios apocalípticos e midiáticos sobre o fim do livro e a morte do autor.

 

 e fortemente influenciados pelo modelo matricial de sociedade setorial marcada e estigmatizada de ‘uma visão terceiromundista do terceiro-setor’ (ver o Ethos das Ongs, 2007).

Não se trata, porém ou apenas, de uma questão teórica ou acadêmica, mas prática e filosófica. Portanto, de uma decisão estratégica e pedagógica.


A experiência de anos contínuos de investimentos no projeto Bom de Bola como ‘produto’, (‘projeto’ ou ‘evento’) ‘com fins de mídia’ e 'fins comerciais', de um lado, e, de outro, 'com fins sociais' e 'governamentais', reproduzia aquele modelo que grifado por toda uma geração de líderes e empreendedores sociais. Ano após anos, na medida em que víamos sentindo o esgotamento de sua força mobilizadora, buscavámos conciliar, num mesmo projeto, interesses díspares e contraditórios, do social ao comercial, do governamental ao midiático – com conseqüências ainda não avaliadas pelas partes envolvidas. 

É como se tivéssemos voltado aos bancos escolares para uma nova releitura da vida e, assim, pacientemente, descobríssemos que o que vemos não é o que vemos, o que fazemos não é o que fazemos, e o que pensamos não é bem o que pensamos.

Pois, partindo-se da clivagem social-mercantil – terreno sedimentado pelos fluxos maquímicos midiáticos - éramos impedidos de abrir os olhos aos novos sinais dos tempos e espaços criados, muitos deles feitos e efeitos da própria produção maquimica ditados pelos meios de mídia, o que implicava numa recomposição redundante das forças sociais e institucionais vigentes.

Até abrir caminhos ou veredas na direção de iniciativas outras e descentradas da questão social-mercantil, encorajados a começar de novo o novo empreendimento, de caráter eminentemente cultural e educacional, um bom tempo – e dinheiro, e inteligência - foi passando e investido.

Pois a passagem do foco social-mercantil para um outro, de caráter cultural e educacional, não poderia significar a perda desses referenciais primeiros mas uma outra medida de valor para 'aprumar' os investimentos cujo experimento midiático já não mais oferecia nem satisfazia.

Do modo que, ao assumir o Bom de Ler e o Repórter na Escola por esta perspectiva pós-midiática, não poderia significar nem desconsiderar, o poder e a importância da mídia televisiva bem como das novas mídias; antes, buscávamos respostas às suas próprias mudanças e impactos trazidos pela terceira revolução tecnológica – além da preocupação e desejo de compartilhar com os parceiros sociais, de mídia e de governo, estas novas forças, conceitos e valores. Isso fazendo de forma que pudéssemos contribuir com todos e, assim, aprimorar/fortalecer os laços de comunicação e histórica parceria, introduzindo-se, com os novos projeto, novos conteúdos e valores que, enfim, dessem maior força na interatividade e na participação co-responsável e menos poder de segregação e disputa entre as marcas envolvidas.

***

Aprender a ler de novo significa, enfim, e neste contexto, não apenas trocar um projeto por outro, mas reaprender e refazer o itinerário dos investimentos seja para revestir os projetos consolidados (como é o caso do Bom de Bola) seja para destravar as novas iniciativas e abrir perspectivas do novo - como acreditamos vai acontecer com o projeto Bom de Ler e do programa Repórter na escola.

***

Finalmente, cabe registrar que as duas iniciativas em curso foram nascidas dentro do Instituto Cultural da Parati, uma instituição criada especialmente para coordenar e aprimorar seus investimentos sociais e culturais.

Enquanto o Bom de Bola é fruto de um investimento empresarial, iniciado na forma de patrocínio e, progressivamente, convertido num investimento social privado, o Bom de Ler já nasce como um projeto cultural com fins educacionais, revertendo-se, desse modo, o fluxo dos investimentos feitos.

Além disso, com o projeto Bom de Ler, abre-se no coração das escolas, de modo que seus resultados, tanto quanto possível e, dependendo da sua receptividade junto aos públicos a que se destina, trará novos resultados para a empresa-investidora e seus parceiros.

Acreditamos na força da cultura e da educação. Alicerçada por uma pedagogia de educação afirmativa, essa escolha prática poderá - mais do que um simples projeto ou programa - se constituir numa 'tecnologia social' (cultural e educativa) em favor das estratégias e programas de educação do tempo livre.

Sendo o Bom de Ler fruto de um investimento com fins definidos pelos e nos seus próprios objetivos – e não outros – talvez, possamos, no curto e médio prazos, ajudar a todos, e ao próprio Bom de Bola a encontrar sua bússola, de modo que ele mesmo seja redescoberto ou reinventado pelos que o realizam.

***

Sempre dizemos e acreditamos ser o Bom de Bola uma poderosa 'tecnologia social' de prevenção e educação de jovens e crianças às situações de risco e conflito com a lei.

Acreditamos no poder dos esportes - e do futebol escolar participativo – na vida e na formação do atleta-cidadão. Interessa aos coordenadores do projeto contribuir na formação do mais jovens e domínio das 'paixões adolescentes', no fortalecimento da vida e da qualidade de vida e dos laços afetivos e cívicos; enfim, na medida que o Bom de Ler abre-se e mergulha no coração das escolas, das crianças, dos pais e dos educadores, e na medida que afirmamos este caráter afirmativo do Bom de Bola, criamos um clima “cultural” transformador.

Ao mesmo tempos acreditamos que tais mudanças sejam uma 'boa influencia' para despertar os atuais investidores no Bom de Bola e motivá-los a dele fazer, também, um investimento integralmente cultural, sem fins comerciais ou midiáticos, devolvendo às escolas e à educação, essa tecnologia social que pode ajudar na formação integral das crianças e de uma escola de tempo integral.

Que todos nós, os criadores, os participantes e os mantenedores do projeto Bom de Bola possamos aprender a ler de novo, a ver com os olhos do futuro, ouvir e sentir os corações das novas gerações, imbuídos todos na criação de valores de paz e de liberdade, dentro e fora dos muros escolares – ali onde se forjam e forjamos todos um projeto de país e o futuro do planeta.

Fiquem assim reescritos os contornos destas jovens utopias, antes jovens que tardias.

 

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